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É com alegria que apresentamos essa nova edição da revista Palimpsesto, com dossiê dedicado aos estudos teatrais e organizada na Pós-graduação em Letras da UERJ. A quantidade e a qualidade dos trabalhos que se candidataram à publicação foi gratificante e lisonjeira – demonstrando a confiança depositada nesta publicação, e permitiu fosse selecionada uma boa amostragem dos estudos que se desenvolvem atualmente nesse campo.

A multiplicidade dos temas e das abordagens nos trabalhos apresentados revela o prestígio de uma mentalidade interdisciplinar quando se estuda teatro. Essa perspectiva fica clara no conjunto de trabalhos que ora divulgamos. Há estudos em que predominam preocupações com a própria definição do teatral e do performático e seus limites com outros gêneros, como o que se refere à “romancizaçao” do drama, de Newton de Castro Pontes (UFPE), ou sobre a “poesia cantada”, de Keila Michelle Monteiro (UFPA), próximo a essa preocupação um dos trabalhos relata uma experiência da exploração da “teatralidade” em uma experiência educacional que propõe despertar indivíduos do marasmo empobrecedor da atualidade, relatada e discutida por Augusto Luís Amaral (FURG) e Denise Marcos Bussolletti (UFPel). As Bacantes de Eurípedes revelam sua atualidade no estudo de Tatiana Bernacci Sanchez (UERJ) sobre um jogo intertextual possibilitado por uma performance que envolveu Caetano Veloso numa noite do espetáculo de José Celso Martinez Correa e na leitura que faz do acontecimento a canção de Adriana Calcanhoto. Da leitura desse trabalho em cotejo com outro aqui publicado deduz-se que a dionisíaca revitalização da imagem de José Celso Martinez nos canais de difusão de cultura mais prestigiosos no Brasil desafia uma tendência dominante nos ciclos da história cultural do país: o esquecimento do legado das experiências de gerações anteriores. Um problema que é examinado por Clara de Andrade no caso de Augusto Boal, o homem de teatro brasileiro que teve uma dos mais amplos reconhecimentos fora de nossas fronteiras, ironicamente graças ao exílio a que foi condenado.

Os trabalhos sobre dramaturgia dividem-se em duas tendências: alguns entre eles examinam aspectos técnicos e recursos expressivos em obras cuja originalidade no tratamento da condição humana e a ousadia formal foram entronizadas pelos cânones modernos, como a peça Os Negros de Genet, analisada por Lucio Branco (UERJ), e A Gaivota de Tchekov, por Priscila Hermerias (USP), ou o chamado “teatro do absurdo”, no trabalho de Fedra Rodriguez Hinojosa (UFSC); outros dois trabalhos estudam a contribuição das tradições populares para a cultura teatral contemporânea. Nesse campo de estudos, Andreza Junia Palhares demonstra que essas nos são transmitidas, até hoje, pela influência que ainda exerce Aristófanes sobre nossos parâmetros artísticos. Por outro lado, o estudo de Livia Petry comprova que essas tradições se aliam às raízes ibéricas numa dramaturgia considerada altamente representativa do que se alcançou de original no Brasil, a de Ariano Suassuna.

A escolha dos trabalhos, por seu interesse atual, por sua pertinência para a publicação e pela qualidade do texto, acabou contemplando estudos de pesquisadores e pesquisadoras de pontos tão distantes do Brasil como os estados do Pará e Rio Grande do Sul, passando por Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina, além do Rio de Janeiro, onde se situa nosso Programa de Pós-graduação.

Na coluna Miscelânea, uma diversidade de temas pertinentes ao campo do comparativismo e da interdisciplinaridade: o artigo de Giselle Migliari (USP) aborda a tarefa interpretativa do tradutor em sua relação com o desafio da tradução literária, principalmente a da poesia; o de Geneviève Faé (UCS) leva-nos ao domínio da literatura fantástica na análise de Lygia Fagundes Telles e Julio Cortázar; Márcia de Oliveira Reis Brandão (UFF) analisa o romance Estorvo, de Chico Buarque, aproximando a perspectiva barthesiana sobre o neutro em sua relação com as reconfigurações do espaço público e do privado na contemporaneidade; Cláudio Roberto Vieira Braga (UFMG) estuda o conceito de diáspora e o tema desencadeado por esse fenômeno na expressão literária hoje, suas implicações culturais e identitárias, analisando o romance de uma autora nipo-americana. Por fim, ampliando a clave interdisciplinar, a análise do discurso da candidata da situação à presidência no ano corrente é o instrumento de Luciene da Silva Dias (UFV) para abordar a relação de nosso campo com a atualidade política brasileira.

A publicação de entrevistas com dramaturgos atuais, Alessandra Colassanti, Carla Faour e Julia Spadaccini, fornece outra referência para se pensar o teatro brasileiro contemporâneo e outra fonte para estudá-lo.

A participação dos estudantes da pós tem sido decisiva para manter o nível e a periodicidade dessa publicação. Como coordenadores do curso de Mestrado em Teoria da Literatura e Literatura Comparada, com uma trajetória pessoal em pesquisas interdisciplinares, consideramos com especial carinho e satisfação oferecer essa amostragem vigorosa das diferentes possibilidades de pesquisa na atualidade que se afirma nesses trabalhos de pesquisadores que, em sua maioria, estão complementando seus estudos de pós-graduação. Uma promessa de renovação e garantia de vitalidade futura em nossa área de estudos.

Geraldo Ramos Pontes
Victor Hugo Adler Pereira

 

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Ano 9 | Número 10 | 2010

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Palimpsesto 10

ISSN 1809-3507

 
 
Universidade do Estado do Rio de Janeiro Instituto de Letras